domingo, 29 de maio de 2016

















Max Ernst:
Les Coquilles,
Oil on canvas

)
coquilles
kokiu
(

como descrever tamanha sincronicidade?
triângulo-círculo-quadrado

o ar entrando em meus pulmões
onda
seu ressonar
eu entro
circulo seus órgãos como um fantasma faminto
arranco seus pelos
e como
como os pensamentos
e vomito pedras
todas as cores, sons
música mineral
sete cordas
sete estrelas
uma cruz
um jardim
eu pouso

terça-feira, 21 de abril de 2015

amor amor amor
tenho pensado em abelhas, nuvens...
como sempre.
meus pensamentos precisam fugir!
meu espírito precisa ser assoprado por uma estrela.

terça-feira, 10 de abril de 2012

FIM
(Esse blog termina aqui. Ainda não sei o endereço do novo blog...)
(Pintura de Henri Rousseau)


O que está por vir já passou...

quinta-feira, 29 de março de 2012

Depois que mandei aquele trecho de Moby Dick para você, quando Ishmael descreve, da proa do Pequod, a monotonia e hostilidade do mar, apesar da perspectiva ilimitada... logo depois, vinham as seguintes frases:

"Bem, que tens a dizer?", perguntou Peleg, quando voltei. "O que viste?"
"Pouca coisa", respondi. "Nada além de água e horizonte considerável, e parece-me que aí vem uma tempestade."


Vou continuar, ver o que está por vir...
obrigada, febre...

estou um pouco mais confortável
nessa lama amorosa, quente e delirante
espero que a febre não passe
até a lama secar
vem, sanfoneiro
tocar pra mim
nesse barquinho branco
talvez você seja uma pessoa tenebrosa
mas te amo desde a primeira vez que olhei para você.
talvez sejam meus olhos
mas sempre te vi cor de rosa
choro muito, choro mesmo
está chovendo, estou doente
me atiro ao vento, às pessoas, aos carros,
aos muros, às árvores, às nuvens...
tenho febre, fico muito pequena.

com um balde, desafogo meu barco alagado de lágrimas
o vento leva uma ou outra para terra firme
lágrimas sementes
lágrimas traidoras
lágrimas pétalas
lágrimas quentes que entram pelo nariz, pelo ouvido,
descem até os seios
lágrimas que me transformam em mar
ondas que me transformam em vento














Leya Mira Brander
(foto: Sônia Parma)
sei que nunca perderei minha estrela,
ela é minha, de mais ninguém.
e nunca foi ninguém.
aceito amorosamente
o que veio escrito dentro dela
em letras luminosas,
provocadas pelo sopro
de asas coloridas,
pela minha respiração
e não por suas palavras
sussurradas quase sem vida,
enquanto você entrava
em um buraco qualquer
no pé da montanha,
que algum bicho abandonou.
misturado ao mar, aquele céu denso
diluiu-se como sal de fruta.
o borbulhar da comparação
entre o subsolo do deserto e a floresta em meu peito
derreteu seu estômago
irritou meus ouvidos.
sorte ficar tão resfriada em um dia chuvoso assim
a lágrima morna escorre pela face fria
montanha morta
bebo o sal como se tomasse de volta meu amor
que acabei de jogar no mar

terça-feira, 27 de março de 2012

céu, ontem à noite.

segunda-feira, 26 de março de 2012

faz tempo, escrevi mais ou menos assim:

andando pela calçada,
sinto um pingo de lua
fresco e claro em minha testa:
"você é mãe... você é mãe..."

nossa casa não tem telhado,
anjos coloridos
cantam raios de sol, pétalas perfumadas
em nossos ouvidos,
enquanto dormimos entre as estrelas.
Na cama, discutimos nossos planos para o dia seguinte. Mas, para minha surpresa e grande apreensão, Queequeg me fez entender que estivera consultando Yojo - assim chamava seu pequeno deus negro -, e Yojo lhe havia dito duas ou três vezes, e insistido muito de todos os modos possíveis, que, ao invés de irmos juntos até a frota de baleeiros no porto e escolhermos juntos nossa embarcação; que, em vez disso, Yojo recomendava que a escolha do navio fosse só minha, visto que Yojo continuaria a nos proteger; e, para nos ajudar, já havia optado por um navio que eu, Ishmael, encontraria infalivelmente, como se tivesse aparecido por acaso; e naquele navio eu deveria embarcar de pronto, sem por hora me preocupar com Queequeg.

Moby Dick
(O Navio)

sexta-feira, 23 de março de 2012























no silêncio
grito "louco!"
três pontos formam minha pausa
respiração lunar

do plano azul
meu pensamento salta

constelação de pele
assopra você
de papel
"Atravessando a recepção tenebrosa e continuando por uma passagem baixa em forma de arco - construído a partir do que outrora deve ter sido uma grande chaminé central com lareiras em volta -, você chegará ao salão. Este é um lugar ainda mais tenebroso, com um teto de vigas tão pesadas e baixas, e um assoalho de tábuas tão velhas e deformadas, que se tem quase a impressão de estar andando na cabine de uma velha embarcação, especialmente numa noite assombrada como aquela, em que esta velha arca ancorada num canto balançava tão furiosamente. De um lado havia uma mesa comprida e baixa, parecia com uma preteleira coberta por caixas de vidro quebrado, cheias de curiosidades empoeiradas, vindas dos recantos mais remotos deste vasto mundo. Projetando-se do ângulo mais afastado do salão há um cubículo escuro - o bar -, uma imitação malfeita de uma cabeça de baleia. Seja como for, ali fica um enorme osso arqueado de mandíbula de baleia, tão grande que uma carroça quase poderia passar por debaixo dele. Dentro ficavam prateleiras em mau estado, sobre as quais pousavam garrafas, frascos e outros recipientes velhos; e dentro daquela mandíbula de destruição instantânea, como outro Jonas maldito (nome pelo qual o chamavam), apressava-se um velhinho enrugado, que, por um alto preço, vendia o delírio e a morte aos marinheiros."

Moby Dick
(A Estalagem do Jato)
"Uma lâmpada presa pelo eixo na parede balança um pouco no quarto de Jonas; e o navio, adernado para o cais com o peso do último carregamento, a lâmpada, chama e tudo o mais, embora com mínimos movimentos, ainda mantém uma obliquidade permanente em relação ao quarto; embora, na verdade, mantendo-se reta, a lâmpada só evidencie a inconstância dos planos entre os quais está suspensa. A lâmpada intimida e assusta Jonas; o fugitivo, bem sucedido até aquele momento, deitado em seu leito, não encontra repouso para os seus olhos atormentados. Mas aquela contradição da lâmpada o amedronta cada vez mais. O chão, o teto e a parede estão errados. 'Oh! é assim que minha consciência balança, pendurada sobre mim!' - ele geme - 'Bem acima de mim, ela queima verticalmente; mas as cabinas de minha alma estão todas tortas!'

Moby Dick
(O púlpito)

quinta-feira, 22 de março de 2012

"Refleti por algum tempo sem compreender o motivo desse gesto. Padre Mapple gozava da reputação de homem sincero e santo, e eu não poderia supor que fosse capaz de cortejar a notoriedade com simples truques cênicos. Não, pensei, deve haver uma razão muito séria para isso; além disso, deve simbolizar algo despercebido. Seria possível, então, que com um ato de isolamento físico ele quisesse representar seu retiro espiritual, distante de todos os laços e ligações exteriores com o mundo? Sim, pois repleto da carne e do vinho do mundo, para o fiel servidor de Deus esse púlpito - entendo - se tornava uma fortaleza fechada - a imponente Ehrenbreitstein, com uma fonte de água perene dentro das suas muralhas."

Moby Dick
(O púlpito)